Três da manhã, janela entreaberta, cortina tremulando com o vento frio da madrugada, a luz da cidade entrando no quarto, tímida, iluminando em frestas o teto do quarto escuro. - Sua bunda fica muito linda à meia luz. Parece uma música de Guilherme Arantes. Levantou a cabeça do meu peito e me beijou sorrindo. Segurei a bunda com a mão direita e apertei com força comedida. Tirou o cabelo do rosto e deitou de novo, puxando o lençol até cobrir o quadril, encerrando o espetáculo cor de jambo que me entretinha. Ficou em silêncio deslizando o dedo na minha coxa, como se calculasse uma raiz de três ou o caminho mais curto pra ir de A pra B. Também fiquei calado, com medo de uma nova conversa difícil, mas era inevitável. Comecei um cafuné ajeitando o cabelo atrás da orelha diversas vezes. - Tu me fala a verdade? - perguntou sem se mexer. - Diga. - Preciso que me fale a verdade. - Te falo, pergunte. - Tá com mais alguém? - Se estou ficando com mais alguém? - Sim. A noite tinha começad...