— Me conta direito. Porque não quis me ver quando voltei.
— Percebi que seria difícil te ver. Tive medo de bater a bad.
— Mas não era esse o combinado, Diego? Eu voltava e a gente conversava?
— Foi, mas não rolou né?
— Foi muito rápido.
— Rápido como?
— Uns dias antes de viajar, passei o fds inteiro com você. Te pedi expressamente pra esperar.
— 15 dias antes.
— Uma semana depois, exatamente uma semana, mandou que eu aproveitasse todas as experiências.
— Não era justo com você, né? Ia conhecer um monte de gente nova.
— Sei o que é melhor pra mim, viu? Meu pai mora em Salvador.
— Eu sei. Por isso decidi por você.
— Sou adulta.
— A gente não tava namorando, nem tinha compromisso. Não dava pra criar expectativa pra quatro meses na frente. Preferi deixar você curtir suas picas lá.
— Eu curti muito. Foi ótimo.
— Viu aí?
— Mas não teve nada com você.
— Imagino que não. Mas me antecipei.
— Antecipou ou conheceu a menina lá ?
— Conheci depois.
— Ela sabe de mim?
— O que tem pra contar?
— Você tá falando sério?
— Sério, o que teria pra contar ?
— Que a gente tava junto.
— Mas a gente não tava.
— Eu dormia na sua casa, você me levava e buscava no plantão, conheceu meu pai quando ele veio e não tinha nada?
— Vi o jogo do Bahia com seu pai, rapaz. Tinha mais um monte de gente lá também.
— Todo mundo foi embora e vocês ficaram conservando até altas. Meu pai não queria que você fosse embora e no outro dia perguntou se você era "meu genro".
— Lembro de você e sua covinha de pijama no sofá nesse dia, olhando pra gente na varanda.
— E não tinha nada, Diego?
— Talvez até tivesse um pouco, né? Mas o lance da viagem pesou. Não ia rolar nada a distância.
— Diego.
— Eu.
— Recife não é um bairro de Maceió.
— Eu sei.
— Como não rolava se falar à distância por quatro meses?
— Deixa isso pra lá. Vamo voltar pro pessoal.
— Acende outro logo que não terminei.
— Assim vou morrer logo.
— Então acende dois.
— Certo.
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