— Tu sabe que queria um beijo, né? — Dou só se você vier. — Igual no show de Saulo… — Ali me vi apaixonada, fudida. — Deixou de ser escondido... — Tua ex ficou muita puta comigo, até hj vira a cara quando passa. — Teu ex também, mas passou. — Ele não era meu ex, saímos uma vez e ele queria casar. — Mas ficou, ué. Falei com ele e a paz reinou. — Jura que falou? — Lógico que falei, tinha que justificar. — Não tinha nada pra falar não. — Eu sabia que ele quis investir em você. — E você disse oq? — Que se eu não gostasse de você não tinha feito isso. Que ele era brother e não queria ficar mal. — Que mentira, bicho. — Pergunte a ele, minha filha. — Vou perguntar mesmo. Volte pro show de Saulo. — Onde a gente tava? — Reações dos ex e pretendentes. — Tá. E você ficou todo incomodado porque tinha um cara tentando me pegar. — Toda molinha pra ele. — Tava nada, só queria ver até onde você ia aguentar. Ficou com uma cara de cu enorme. — Fiquei nada, rapá. — Puto achando q e...
E quando a gente apostava corrida na praia e você corria no 2? E quando derramava o café no pires pra esfriar, como aprendeu com seu pai, e depois voltava pra xícara? Nunca aprendi com você, mas considerava ainda, já lá pelos meus 30, um negócio fora de série pq não sujava a toalha de mesa de minha mãe. Eu não pude chorar sua partida, não pude sofrer, nem consegui dizer direito que sentia sua falta. Você nunca me ensinou a dizer a coisa certa, me falava pra pensar. Mas me dizia pra respeitar a filha dos outros, que não achei meu pau no lixo, ou, do seu jeito mambembe, apontava na rua qualquer desigualdade pra me ensinar a falácia do mérito. A gente não era amigo, eu sei. Assim como você sabe que eu tentei: lembra dos e-mails, provavelmente bêbado, que escrevia pra pedir pra gente ser mais próximo? Tudo bem que você nunca respondeu. Porra, já são seis meses e acho que talvez, não sei bem, a gente pode ter ficado até mais tempo sem se falar que isso, até. Lembro qu...