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Serasa - Ato 04

 — Então vamos mudar os planos.

— Como assim?

— Putaria é putaria.

— Sei separar as coisas.

— Não vamo arriscar, blz?

— Hoje é só putaria.

— Deixe isso pra lá. Vai complicar tudo.

— Tá, você que sabe.

— Vou dar uma desculpa pra ir embora.

— Certo.

— Não fica brava.

— Não to.

— Gosto de você.

— Você não gosta de ninguém, cara.

— Eu sou doentinho, você sabe.

— Só gosta de quem lhe trata mal.

— Você tá me tratando mal, por isso gosto ainda mais de você.

— Não tem graça.

— Sério. Eu gosto de você. Por isso evitei te ver.

— Que caô

— Não preciso que acredite em nada.

— Porque nunca disse?

— Não sou bom com essas coisas.... 

— Resolve tua vida.

— Tô resolvendo.

— Não seja sacana com a menina lá.

— Não sou.

— Mas tava saindo quase agora pra me comer.

— Voltei atrás a tempo. 

— Por causa dela?

— Ela é boa quando tô com ela. E terrível quando tá longe.

— Você tá namorando? Seja sincero.

— Não e não quero.

— Então porque a gente não retoma?

— Preciso resolver esse lance primeiro.

— E você quer que eu espere?

— De jeito nenhum. Segue a vida.

— Quando eu desistir, já era.

— A gente não colhe no mesmo dia que planta, né. Assumo minhas picas.

— Resolve.

— Oq?

— Suas picas.

— To tentando.

— Estou com saudade do seu sofá arranhando minhas costas

— Troquei de sofá, pô.

— Quando vou conhecer?

— Vou marcar algo lá.

— Se tiver mais gente, vou ficar no sofá te olhando com cara de quero te dar.

— Como é essa cara?

— Assim:

— Normal.

— Pra você ver como sou discreta.

— Tem que se esforçar mais.

— Eu fecho os olhinhos, viu?

— Parece que tá sem óculos.

— Que filho da puta.

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