E quando a gente apostava corrida na praia e você corria no 2? E quando derramava o café no pires pra esfriar, como aprendeu com seu pai, e depois voltava pra xícara? Nunca aprendi com você, mas considerava ainda, já lá pelos meus 30, um negócio fora de série pq não sujava a toalha de mesa de minha mãe. Eu não pude chorar sua partida, não pude sofrer, nem consegui dizer direito que sentia sua falta. Você nunca me ensinou a dizer a coisa certa, me falava pra pensar. Mas me dizia pra respeitar a filha dos outros, que não achei meu pau no lixo, ou, do seu jeito mambembe, apontava na rua qualquer desigualdade pra me ensinar a falácia do mérito. A gente não era amigo, eu sei. Assim como você sabe que eu tentei: lembra dos e-mails, provavelmente bêbado, que escrevia pra pedir pra gente ser mais próximo? Tudo bem que você nunca respondeu. Porra, já são seis meses e acho que talvez, não sei bem, a gente pode ter ficado até mais tempo sem se falar que isso, até. Lembro qu...