Me convidou pro carnaval, respondi que não tava no clima esse ano, que preferia ler meus livros inacabados, ressuscitar minhas plantas que morreram em novembro, testar minhas receitas salvas no instagram. Me disse que ia, que adora carnaval, pintar a cara, vestir fantasia, pular na pipoca. Eu disse vá e disse aproveite. Botou cara feia, ficou quieta, não disse nada. Imagino que queria que eu perguntasse se tava tudo bem, mas não perguntei. Ficamos no sofá, olhando pra tv com metade do display piscando pq não tive tempo nem energia pra levar no conserto. O vento nordeste fazia aquele barulho que te dava medo, mas dessa vez não reclamou do fantasma, então não pude repetir a piada da mulher que morreu no apartamento vizinho. Creuzinha. Morreu de tédio, de excesso de igreja e falta de pica. Você sempre ria e esquecia que o medo de fantasma. Pegou o celular e riu como se estivesse sozinha. Não me mostrou, eu também não pedi pra ver. Acho bem sem graça, na verdade. Enviou um áudio a uma...