— Me conte quando isso começou.
— Oq?
— Esse namoro.
— Não to namorando.
— Como não tá? E a foto lá?
— Não quer dizer nada. Você namora com todo cara que posta foto?
— Então você fica com quem quiser?
— Não.
— Então é namoro.
— É combinado, bem diferente.
— Você não é namorado e não pode ficar com ninguém?
— Poder eu até posso, mas não quero e combinado é assim.
— E ela vai fazer isso por lá?
— Não sei, ué.
— Quem te garante?
— Preciso de garantia não, olha. Cada um faz o seu.
— Tá estranha essa história.
— Estranha eu concordo.
— Porra. Quero conhecer a heroína.
— Você me disse. Ligou várias vezes no dia que eu tava lá. Lembra não?
— Lembro, Jesus! Que vergonha.
— Eu na casa dela e você pedindo o endereço. Depois pediu pra ir dormir na pousada porque o pessoal ia embora cedo. Só fui saber que era mentira quando cheguei lá. Maior crocodila. E ainda me tratou com muxoxo. Fred disse que você ia bater no Carvalheira.
— Desculpa. Bebi demais.
— Tu mandou msg pra Bruno perguntando se ele tinha me visto. Ele tava lá comigo
— Lembro. A ressaca moral foi terrível, se ajuda em alguma coisa.
— Eu também bebi, relaxa.
— E tava com saudade. Queria te ver.
— Eu sei, me desculpe por tudo.
— Não precisa. Espero que esteja feliz.
— Não sei como tô, na verdade. Mas te agradeço.
— Sei como é esse lance de distância.
— Não é só isso. Mas vamos falar outra hora.
— Fala, por favor.
— Acho que meu sentimento tá muito contraditório no momento. Vi que talvez meu lance seja mais físico mesmo. Sobra ausência, aí tô desencanando. Enxergo meu limite e sempre passo um pouquinho pra ver se tem outro na frente, sabe? Tentei construir, mas tô vendo que, afinal, é papo de fuder e ir embora.
— Nossa.
— O quê?
— Não é tua cara não.
— Oxe.
— Deixe pra lá.
— Diz, porra.
— Viajar só pra isso.
— Todo mundo me disse isso, viu?
— Me inclua nesse grupo do Whatsapp.
— Pronto.
— Deixa eu te perguntar uma coisa. Posso?
— É putaria? Você fala assim já sei que é putaria.
— É sim.
— Não sei se vou responder, blz?
— Aí não. Tem que responder.
— Porra.
— Vai?
— Diz.
— Não tá com saudade de me comer no balcão da cozinha?
— Aí você me quebra.
— Responde
— Você sabe a resposta.
— Mas quero ouvir.
— Não vou falar.
— Teu namoro proíbe imaginação tb?
— Sinto sim saudade de te comer em qualquer lugar. Mais ainda de chupar sua buceta naquela namoradeira em sua casa.
— A que era de minha avó?
— Não tenho culpa se sua avó subutilizava a namoradeira. O nome diz tudo.
— Dorme comigo hoje.
— Não vai rolar. Só vim pelo sushi, nem posso demorar.
— Vai. Vou pra sua casa. A gente vê um filme.
— Pelo menos um sushi decente?
— Hatsu tá entregando. Vamos.
— Não vai dar certo, menina.
— Vai. Se eu tirar essa calça jeans, não sei se consigo vestir de novo.
— Imagina, cada dia mais gostosa e sonsa.
— Aprendi muito com você.
— O que você quer assistir?
— Ainda não vi 'A verdadeira dor'.
— Rapaz
— Ou a gente compra um vinho e bota o papo em dia.
— Sem falar sacanagem.
— Estudos bíblicos.
— Antigo ou velho testamento?
— Pensei em equilibrar. Um pouco Andresa Urach na Universal e e um pouco quando desgarrou.
— KKKK não vai dar certo.
— Vamos no Palato.
— Tá.
— Não se preocupe mesmo.
— Não tô.
— Sem putaria.
— A gente sabe que vai se pegar quando descer do carro.
— Tava com esperança de que antes de entrar já ia começar.
— Louco pra ter comer. Não consigo te olhar sem ficar evidente.
— Tô molhada desde que ficou com ciúmes do gringo.
— Mais raiva pra te comer.
— Então nem vou dizer que ele é gay.
— Mas que fdp.
— Vamos.
— Precisa se despedir do pessoal. Todo mundo vai perceber.
— Todo mundo sabe, Diego.
— Sabe oq?
— Que eu gosto de você.
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