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Serasa - Ato 03

 — Me conte quando isso começou.

— Oq?

— Esse namoro.

— Não to namorando.

— Como não tá? E a foto lá?

— Não quer dizer nada. Você namora com todo cara que posta foto?

— Então você fica com quem quiser?

— Não.

— Então é namoro.

— É combinado, bem diferente.

— Você não é namorado e não pode ficar com ninguém?

— Poder eu até posso, mas não quero e combinado é assim.

— E ela vai fazer isso por lá?

— Não sei, ué.

— Quem te garante?

— Preciso de garantia não, olha. Cada um faz o seu.

— Tá estranha essa história.

— Estranha eu concordo.

— Porra. Quero conhecer a heroína.

— Você me disse. Ligou várias vezes no dia que eu tava lá. Lembra não?

— Lembro, Jesus! Que vergonha.

— Eu na casa dela e você pedindo o endereço. Depois pediu pra ir dormir na pousada porque o pessoal ia embora cedo. Só fui saber que era mentira quando cheguei lá. Maior crocodila. E ainda me tratou com muxoxo. Fred disse que você ia bater no Carvalheira.

— Desculpa. Bebi demais.

— Tu mandou msg pra Bruno perguntando se ele tinha me visto. Ele tava lá comigo 

— Lembro. A ressaca moral foi terrível, se ajuda em alguma coisa.

— Eu também bebi, relaxa.

— E tava com saudade. Queria te ver.

— Eu sei, me desculpe por tudo.

— Não precisa. Espero que esteja feliz.

— Não sei como tô, na verdade. Mas te agradeço.

— Sei como é esse lance de distância.

— Não é só isso. Mas vamos falar outra hora.

— Fala, por favor. 

— Acho que meu sentimento tá muito contraditório no momento. Vi que talvez meu lance seja mais físico mesmo. Sobra ausência, aí tô desencanando. Enxergo meu limite e sempre passo um pouquinho pra ver se tem outro na frente, sabe? Tentei construir, mas tô vendo que, afinal, é papo de fuder e ir embora. 

— Nossa.

— O quê?

— Não é tua cara não.

— Oxe.

— Deixe pra lá.

— Diz, porra.

— Viajar só pra isso.

— Todo mundo me disse isso, viu?

— Me inclua nesse grupo do Whatsapp.

— Pronto.

— Deixa eu te perguntar uma coisa. Posso?

— É putaria? Você fala assim já sei que é putaria.

— É sim.

— Não sei se vou responder, blz?

— Aí não. Tem que responder.

— Porra.

— Vai?

— Diz.

— Não tá com saudade de me comer no balcão da cozinha?

— Aí você me quebra.

— Responde

— Você sabe a resposta.

— Mas quero ouvir.

— Não vou falar.

— Teu namoro proíbe imaginação tb?

— Sinto sim saudade de te comer em qualquer lugar. Mais ainda de chupar sua buceta naquela namoradeira em sua casa.

— A que era de minha avó?

— Não tenho culpa se sua avó subutilizava a namoradeira. O nome diz tudo.

— Dorme comigo hoje.

— Não vai rolar. Só vim pelo sushi, nem posso demorar.

— Vai. Vou pra sua casa. A gente vê um filme.

— Pelo menos um sushi decente?

— Hatsu tá entregando. Vamos.

— Não vai dar certo, menina.

— Vai. Se eu tirar essa calça jeans, não sei se consigo vestir de novo.

— Imagina, cada dia mais gostosa e sonsa.

— Aprendi muito com você.

— O que você quer assistir?

— Ainda não vi 'A verdadeira dor'. 

— Rapaz

— Ou a gente compra um vinho e bota o papo em dia.

— Sem falar sacanagem.

— Estudos bíblicos.

— Antigo ou velho testamento?

— Pensei em equilibrar. Um pouco Andresa Urach na Universal e e um pouco quando desgarrou.

— KKKK não vai dar certo.

— Vamos no Palato.

— Tá.

— Não se preocupe mesmo.

— Não tô.

— Sem putaria.

— A gente sabe que vai se pegar quando descer do carro.

— Tava com esperança de que antes de entrar já ia começar.

— Louco pra ter comer. Não consigo te olhar sem ficar evidente.

— Tô molhada desde que ficou com ciúmes do gringo.

— Mais raiva pra te comer.

— Então nem vou dizer que ele é gay.

— Mas que fdp.

— Vamos.

— Precisa se despedir do pessoal. Todo mundo vai perceber.

— Todo mundo sabe, Diego.

— Sabe oq?

— Que eu gosto de você.


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