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Serasa - Ato 05

 — Tu sabe que queria um beijo, né?

— Dou só se você vier.

— Igual no show de Saulo…

— Ali me vi apaixonada, fudida.

— Deixou de ser escondido...

— Tua ex ficou muita puta comigo, até hj vira a cara quando passa.

— Teu ex também, mas passou.

— Ele não era meu ex, saímos uma vez e ele queria casar.

— Mas ficou, ué. Falei com ele e a paz reinou.

— Jura que falou?

— Lógico que falei, tinha que justificar. 

— Não tinha nada pra falar não.

— Eu sabia que ele quis investir em você. 

— E você disse oq?

— Que se eu não gostasse de você não tinha feito isso. Que ele era brother e não queria ficar mal.

— Que mentira, bicho.

— Pergunte a ele, minha filha.

— Vou perguntar mesmo. Volte pro show de Saulo.

— Onde a gente tava?

— Reações dos ex e pretendentes.

— Tá. E você ficou todo incomodado porque tinha um cara tentando me pegar.

— Toda molinha pra ele. 

— Tava nada, só queria ver até onde você ia aguentar. Ficou com uma cara de cu enorme.

— Fiquei nada, rapá.

— Puto achando q eu iria pegar o cara na sua frente.

— Inclusive dei as costas pra te dar privacidade... 

— Eu vi. Disse pro cara "bom show" e fiquei te vendo me procurar.

— Foi assim, foi?

— Parecia um menino perdido no shopping.

— Bem crocodila você.

— Achei bonitinho.

— Vi o cara sozinho e não entendi nada. 

— Tava atrás de você.

— Procurava e não te via.

— Era a intenção, né?

— Fui até no bar pra ver se achava.

— Eu sei q foi.

— Enfim, não tava no meu direito, só queria ver sua pauta.

— Que pauta?

— Se tava liberado 'ficante não monogâmico".

— Quem era eu, menino? Você tava liberado de tudo.

— E você também, vidaaa.

— Então pronto.

— E depois?

— Eu fiquei no meu grupo, você no seu. Ficava te olhando por cima do ombro da galera pq vc tava um espetáculo.

— Sou linda, meu filho. Meu erro é gostar de homem descarado.

— Verdade, viu? Que bom que sou a exceção.

— Você é o maior exemplar da regra, meu filho.

— Cê tá me confundido com teus boys.

— Certo...termine a história.

— Sei lá...demorou pro show começar.

— Conte o desfecho.

— Que desfecho?

— O nosso, né?

— Toda hora você vinha dizer alguma coisa, a galera estranhou.

— E foi? Disseram oq?

— Acharam que vc tava querendo pegar o brother de novo.

— Mas tinha terminado faz tempo.

— E eu agora mando no que a galera pensa, é?

— E tu disse oq?

— Fiquei calado, claro.

— Calada vence.

— Isso mesmo!

— Conta.

— Enfim, o comentário era que você tava querendo pegar o cara de novo, mas ele disse que não, que eram amigos só, mas senti q ficou cheio de esperança...aí me lascou.

— Eita Jesus

— Aí me perguntaram: né, Diegão? 

— kkkk pqp

— Barril, pô.

— E tu disse oq?

— Disse "me deixe fora dessa"

— Pq era você que tava comendo, né fdp?

— Tinha comido a tarde toda, inclusive.

— Sonso demais, cínico!

— E eu ia dizer oq?

— Devia dizer "galera, a fila andou aí"

— Pronto, virou novela.

— E não era?

— Rapaz, a gente tava junto só pra gente. Esse foi o acerto.

— Mas a coisa desandou, né? 

— Desandou, desandou...

— Eu dizia que tava morta de fome, e vc levava poke de salmão pra mim no plantão. 

— E vc que me comprou com bolo? 

— Mais em conta, viu?

— Desandou.

— Pois é, perdi o controle.

— Adorava quando a gente passava o dia na praia. É minha lembrança mais querida.

— Só praia longe pra manter o segredo, kkkk

— Tinha que sair cedinho, então eu me amarrava. Você cochilando no carro...

— Com sua playlist esquisita. Até hoje escuto, sabia?

— Eu tenho uma com seu nome.

— A sua é só "D."

— A sua é "Deusa do amor"

— kkkkk por causa de Pepeu, né?

— Ele mesmo. Você é minha Baby Consuelo.

— Eca, Diego!

— Desculpa, piada ruim. 

— Tá, conclua o show.

— Começou o show, só as novas.

— Não conhecia todas tb não.

— Mas fui na onda, né?

— Cheio de suingue.

— Ilhéus, Bahia.

— Aqui é Salvador, pai.

— Uma hora lá, ele tocou 'Beleza Rara' e lembrei da gente dançando em Carro Quebrado.

— Porra, isso mesmo.

— Aí vc ficou dançando e sorrindo pra mim na parte 'mil voltas que dei' e me fodi completamente.

— PQ?

— Eu tava com um nó na garganta do tanto que te queria.

— Você virou de costas, porra.

— Cada um sabe onde aperta, né?

— Termina.

— Dei uma respirada, depois fui fumar.

— Eca, o que mais?

— Ai lá vem você dançando na minha direção, com uma copo de gim na mão, uma blusinha de artesanato colorida, sorrindo pra mim...

— Artesanato a sua bunda!

— Ué, não era?

— Caríssima, meu filho! Parcelei em várias.

— Desculpa, meu amor. 

— Tá... lembro que eu tava indo, e você todo sem graça, fazendo 'não' com a cabeça, lembra?

— E você na minha direção, balançando a cabeça que 'sim'.

— Galera sem entender pica nenhuma, achou que era coisa de baiano.

— Ficamos uns cinco minutos nessa putaria.

— Alguém veio falar comigo e você me puxou de lado...

— Tiago polícia.

— Isso, ele mesmo.

— Puxou e disse: foda-se todo mundo, né?

— E você ainda com essa cara de sonso que tem, fingindo não entender.

— Nosso acerto era outro, e você tava bebendo.

— E eu repeti: foda-se ou não, Diego?

— Aí eu entendi que tinha mudado pra vc tb.

— E o que você me disse?

— Diga você.

— Veio no meu ouvido: "Venha logo que tô doente de saudade"

— Que cafajeste!

— Tu é oq?

— Se saia, rapaz.

— Lembro mais ainda.

— Pois me diga.

— Cheguei pertinho e passei a língua na sua boca. Você me segurou forte pela cintura, e joguei a cabeça pra trás pra não te beijar.

— Foi foda, a turma achou que eu tava te agarrando.

— Tava fazendo charminho.

— Fiquei serião.

— Eu percebi, aí segurei sua camisa e perguntei "tá doido pra me beijar, né?"

— ..."tá doido pra me beijar né, seu filho da puta?"

— Jura?

— Com essa meiguice peculiar.

— Mentira.

— Juro de dedinho.

— E você disse oq?

— Nada, fiquei te olhando e rindo.

— Você respondeu sim. Diga.

— Disse que se você não me beijasse agora, nunca mais ia me ver na vida.

— Aí acabou o segredo. 

— Acabou o segredo.

— Passamos umas duas músicas direto sem desgrudar.

— Sim, 'Loucura Maior' e 'Vem meu amor'. 

— Tu jura que lembra?

— Acreditei que não era coincidência, não 

— Te larguei por conta de sua amiga inconveniente.

— Suposta paquera.

— Tu levou uma paquera?

— Levei não, ela foi sozinha.

— Não acredito não. Tava ficando com ela?

— Nunca, só conversa.

— Tá explicado agora. 

— Deixei ela por perto na hora que você tava de papo com o hetero top, kkkk. 

— Fala sério.

— Brincadeira, mas a gente tava nessa de segredo...

— E ela foi dizer oq?

— Ela me chamou de coisas feias no ouvido, kkkk

— Conta.

— Disse: "Devia ter dito que tava com alguém, mas é mais fácil ser escroto, né?"

— Caralho, heroína!

— Pois é, mas a gente só conversava de vez em quando...Eu sempre dava desculpa.

— Eu me arrumei na sua casa, Diego. 

— Não chamei a menina não. Ela foi porque quis, com a turma dela.

— Você achou que eu ia ficar com alguém lá?

— Achei possível sim, os caras do cross eram doidos em vc. 

— Meu Deus, que livramento. 

— Não faria isso com você não, mas você tinha toda liberdade, ué.

— Vai, já to puta, volta pra história.

— Ainda lembro do seu cheiro aquele dia. Gim, suor e esse perfume Hinode que você tá hoje.

— E eu do seu misturado com essa merda de cigarro.

— Lembra do que eu te disse quando chegamos em casa?

— A gente disse muita coisa.

— Pedi pra você não ir.

— Você tava bêbado.

— Tava, mas não queria te perder não.

— Te pedi pra esperar por mim, e uma semana tu tava com outra. Não ia desistir da trip.

— Mas é bom te ver agora. Parece que não passou tanto tempo.

— A gente se dá muito bem, me impressiono à vezes.

— Quando você me ligava eu não detestava ligações, a gente sempre tinha assunto.

— Quando você me diz essas coisas, eu só quero ficar agarrada em você.

— Não devia ter te visto hj não, viu?

— Porque?

— Difícil não querer te beijar e te levar pra casa.

— Pois venha aqui, venha. não me deixe doente de saudade.

— Faz assim não...

— Depois do aniversário domingo, vamos jantar? Na boa? 

— Tá bem, bora.

— Quer comer oq?

— Comece com putaria.

— Sério, vá.

— Uma massinha.

— Tá. e vamo junto pro Cross segunda?

— Ué.

— Você sabe como vai acabar, não se faça.

— Não sei não. Como é?

— Como tudo termina normalmente.

— Não faço ideia do que tá falando.

— Eu quero que você diga.

— Com você me fazendo um monte de pergunta e puta com as respostas...

— Então você sabe o que vem depois.

— Tenho uma certa ideia...

— Diz, adoro quando você fala.

— Com a gente fudendo pela casa toda depois que você cansar de brigar.

— O que mais?

— Você dizendo que tá com fome no meio da madrugada e andando nua pelo apartamento.

— E você inventava alguma coisa pra comer. 

— Reclamando sempre, mas eu te amava, sabe? Fazia tudo levando você comigo.

— Muita saudade disso.

— É, era muito bom. Você preenchia todos os espaços. 

— Vai, me fala se eu levo minha roupa do cross.

— Leva.

— O que mais?

— Seu plantão, quando é?

— Terça.

— Leva roupa até terça.

— Vai ter café da manhã?

— Segunda e terça.

— Diferentes? Quero diferente.

— Diferentes sim, Sra.

— Não dá cano, não inventa B.O.

— Não vou dar.

— Compra um vinho pra gente.

— Vou pedir indicação.

— Resolve tua vida com a menina lá.

— Sem falta.

— Não quero te encontrar só pra fuder.

— Acho que nem eu.

— Então resolve. Sem cobrança.

— Sem cobrança.


Pronto, Obrigado e Bom dia.

*Sei que estou te devendo o final de SERASA faz tempo. A vida seguiu e a conversa desse dia talvez apresente divergências, mas o contexto tá mantido. Acho tb q a parte do 'amava' não disse, mas se eu pudesse, teria dito. Pensa que é só minha dedicatória, tal como Chicó fez pra dona Rosinha na rádio da cidade, só que diferente dele, não consigo escolher só uma música pra você: Deusa do Amor da Varanda depois da praia, Beleza Rara onde vi que tava arriado, ou nosso dueto de Planeta de Cores no Karaokê na casa de sua amiga, amplamente reconhecida como maior apresentação musical desde a vinda do Messias. Mas diria, na mensagem, "essa música vai pra ela, mesmo que ela não me ame mais, só para dizer que estou doente de saudade, e que todo dia, de amor, morro um pouquinho".


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